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Dunga aposta em força "italiana" para superar críticas e embalar seleção
 
A seleção brasileira inicia nesta terça-feira a sua preparação para os jogos contra Venezuela e Colômbia, pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2010, com um novo domínio. Para tentar amenizar a pressão que vem sofrendo ao longo dos últimos meses e tentar manter o emprego para a retomada do classificatório - que será paralisado após o duelo com os colombianos, Dunga aposta num velho centro do futebol mundial. Oito dos 22 atletas que chegarão ao Rio de Janeiro defendem atualmente clubes da Itália.

Esta é a primeira vez nos 32 jogos do gaúcho à frente da seleção que mais de um terço dos atletas da seleção virão do futebol de um mesmo país. A maior marca na era Dunga pertencia aos times da Espanha, que cederam sete atletas em duas convocações de 2008: em maio (nos amistosos contra Canadá e Venezuela) e em março (para o jogo com a Suécia).

Após este domínio "espanhol", porém, a Itália tratou de tornar-se o país que mais viu atletas de seus clubes representados na seleção. Foram cinco nos jogos contra Argentina e Paraguai, a primeira vez na era Dunga que o futebol italiano foi maioria na equipe, e mais cinco diante de Bolívia e Chile, ocasião em que equipes brasileiras e alemãs também tiveram cinco atletas na seleção.

Com os oito atletas também foi estabelecido o maior domínio em uma lista do selecionado brasileiro desde 2004. Exceção feita ao jogo contra a Guatemala, em abril de 2005, quando apenas jogadores que atuavam no Brasil foram chamados para a despedida de Romário, a última vez que a seleção teve tantos atletas vindo de um mesmo destino fora há quatro anos, quando o então técnico Carlos Alberto Parreira levou nove que atuavam no futebol nacional para a Copa América.

Na ocasião, os chamados foram os goleiros Júlio César (então no Flamengo) e Fábio (Vasco), o zagueiro Cris (Cruzeiro), o lateral Adriano (Coritiba), o volante Renato (Santos), os meias Diego (Santos) e Felipe (Flamengo), e os atacantes Luis Fabiano (São Paulo) e Vágner Love (Palmeiras). Coincidentemente, esta oportunidade também foi a última que fora dada ao meia-atacante Mancini, que retorna à seleção nesta terça-feira, e é uma das estrelas do futebol italiano.

Se Parreira diversificou os clubes na competição de 2004, desta vez os oito jogadores oriundos do futebol italiano vêm de apenas três agremiações. A Inter de Milão cederá o goleiro Júlio César, o lateral-direito Maicon, o meia Mancini e o atacante Adriano, a Roma será representada pelo goleiro Doni e pelo zagueiro Juan, e o Milan terá o meia Kaká e o atacante Alexandre Pato.

"Nunca deixei de acreditar na força do futebol italiano. Estou trabalhando na Itália há cinco anos e sempre achei, e ainda acho, que é o melhor e mais forte futebol do mundo. Mas com a conquista da Copa do Mundo [na Alemanha, em 2006 quando a Azzurra sagrou-se tetracampeã], o país voltou a ganhar destaque e ser o foco no mercado europeu", comentou Mancini, que trocou recentemente a Roma pela Inter de Milão - ele ainda defendeu o Venezia no futebol italiano.

"Fico feliz em estar atuando em um país com tanta tradição no futebol mundial. Deixei o Real [Madrid, da Espanha] por achar que na Itália estão os maiores craques. Basta ver que os nossos melhores jogadores, como Kaká e Ronaldinho Gaúcho atuam juntos num clube de ponta do país", comentou Júlio Baptista, que defende a Roma e chegou a figurar na lista de Dunga para os jogos contra Venezuela e Colômbia, mas foi cortado por lesão.

Depois da Itália, o futebol inglês é o que mais terá jogadores na seleção de Dunga, com cinco, três deles vindo do Manchester City, que é apenas uma equipe mediana no país. As potências Liverpool e Manchester United cederão apenas um jogador cada. Por sua vez, o único time espanhol a ter um representante na seleção será o Barcelona com o lateral-direito Daniel Alves - o atacante Luis Fabiano, do Sevilla, foi cortado por lesão. As equipes alemãs terão três atletas, os times brasileiros verão quatro na seleção, e o time grego Panathinaikos cederá Gilberto Silva.

O caso do volante é o único, portanto, de um país com pouca tradição no futebol mundial, apesar de a Grécia ter vencido a Eurocopa-2004. Uma situação bem diferente do início de trabalho de Dunga, que em sua primeira convocação chamou atletas oriundos da Rússia, Ucrânia, Holanda e Portugal.

A aposta de jogadores que defendem equipes de grandes centros do futebol mundial pode ser uma forma de Dunga vencer as críticas à sua performance na seleção. O Brasil vem de um sofrível empate sem gols com a Bolívia, ocupa o segundo lugar das eliminatórias, mas com apenas três pontos a mais que a Colômbia, atual sexta colocada e primeira seleção fora da zona de classificação para o Mundial.
Fonte: UOL / Augusto Zaupa e Fernando Narazaki
 
 
 


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